quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Mudanças


Surpreendente. Será? Donald Trump derrota Hillary Clinton nas eleições norte-americanas. As sondagens, quase todas as que foram publicadas anunciavam a vitória de Hillary… era encomendar as faixas e lançar os foguetes antes da festa. Para quem confiou nas sondagens sim, foi uma grande surpresa.
Mas o mundo em quase todos os quadrantes geográficos foi emitindo sinais.
O tabuleiro da geopolítica sofreu um abalo sísmico que parece ter fraturado os remendos com que se ia aguentando.
A primavera árabe foi algo a parte? O Conflito russo – ucraniano? A expansão do Estado Islâmico?
O que dizer do Brexit? A quebra de laços na UE, visível no egocentrismo dos países do Norte e Centro da Europa, a fraca e frágil gestão dos problemas (ex. crise dos refugiados, crise económica e financeira de alguns estados membros, …) problemas europeus, da União. Demonstra uma fragilidade das lideranças. Isolar países, fragilizar lideranças, sustentar políticas inaceitáveis perante o crivo da ética e da humanidade, tudo isso aconteceu. Solidariedade, aliás um dos pilares do sonho europeu, é que raramente se viu.
O povo em última instância é o garante e o suporte das nações ditas civilizadas e com o seu voto decide. Julga e julga bem, é o tribunal mais fidedigno.
Agora estamos todos receosos, pessimistas. Mas quem criou o monstro? (Ainda nem sequer sabemos se há monstro).
De facto, quando somos chamados às urnas para exercer um direito (e um dever), o que acontece? Não vou! Para que ir votar? Ganhe quem ganhar é a mesma coisa. É tudo farinha do mesmo saco. Esquerda e direita não mais se distinguem. Querem todos é ir para lá. Resumi um conjunto de comentários que se ouvem sempre que há atos eleitorais.
É um afastamento atroz. As pessoas (o povo) está saturado, farto do mesmo de sempre. Então a mudança surge como natural. O povo está a reagir. Hillary Clinton significa mais do mesmo, o status instalado “feito” com as grandes multinacionais, “aberto” a esquemas sombrios, à corrupção, ao tráfico de influências, …
Mesmo Portugal está saturado desta crise. São milhões e milhões para salvar este banco e depois o outro e a seguir mais um!! É o défice e a dívida. Tudo obra e graça destes políticos, todos iguais, que querem é ir para “lá”.
O povo está revoltado e quer algo diferente: a surpresa do Brexit, a surpresa do Syriza e de Tsipras na Grécia, agora a surpresa de Trump nos EUA (mas com muitas outras surpresas já pelo meio aqui bem na Europa). E um conjunto de outras meias surpresas (Marin Le Pen, o Podemos e o Ciudadanos, o PAN, O Bloco de Esquerda de Catarina Martins e o PC de Jerónimo a impor as regras a António Costa).

É claro que estas surpresas têm acabado em meias surpresas. Gera-se como que uma institucionalização destes vencedores surpresa, institucionalizados no sentido de serem mais do mesmo (aquilo a que o povo foge). E com Trump? Será igual? 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

IDEIAS PARA PENSAR ANTES DO ATO ELEITORAL DE 4 DE OUTUBRO (Residentes em Chaves - Círculo de Vila Real)

O ato eleitoral do próximo dia 4 de Outubro aproxima-se rapidamente. Uma questão começa a sobrepor-se: em quem depositar a minha confiança e o meu voto, para me governar (e ao meu país) nos próximos 4 anos? Qual o melhor projeto?
Ao analisar o projeto, devo fazer uma análise individual (ver o meu umbigo), do grupo de pertença (profissão), do impacto na região em que vivo, do país, ou tudo, no seu todo? Provavelmente devemos pensar no todo, mas como não podemos anular a nossa individualidade também é propositado fazer a análise mais egocêntrica (o meu mundo particular – desde a família à localidade).
E como chegar a uma conclusão limpa sobre estas grandes questões?
Por estes dias a «poluição» política é notável. Televisão, rádio, redes sociais e internet, nas próprias ruas por onde andamos, nos locais que frequentamos. A confrontação é evidente, quiçá saturante, na opinião de muitos. Tal bombardeamento ajuda-nos a decidir? Tanto alarido dar-nos-á a perceção e a visão de que precisamos?
Podia aqui fazer-se um parêntesis e explorar mais a forma como as mensagens são transmitidas atualmente, mas passamos à frente.
Ora então, o que é melhor para mim e para o meu país? Quem me representa melhor? Quem elejo representa-me ou ninguém me representa de facto? Ou será que me revejo em muitos projetos e muitos me representam? Muitas questões importantes e respostas às vezes nada simples de dar.
Não que isto seja de grande ajuda, mas…
No meu caso, sou residente em Chaves, círculo de Vila Real. Ultrapassando a parte egocêntrica (penso que sou mal pago pelo trabalho que faço, que pago demasiados impostos locais e nacionais, …). O que projetos políticos deveriam prometer sempre que nos visitam à «caça» do voto? Quais são as grandes questões que afetam o dia-a-dia desta região?
1 A regressão demográfica. Em muitos concelhos e freguesias a estrutura etária evidencia valores de 70, 80 ou mais por cento de população com 60 e mais anos de idade. Nestes locais já não é possível implementar medidas de incentivo à natalidade, deixou-se passar o ponto de não retorno. Não há já qualquer mulher em idade de procriar, portanto, não há ninguém em condições de receber os incentivos que pretendem dar. Qual o futuro destes locais? As aldeias já percebemos são para extinguir. O Que lhes fazer quando já não tiverem ninguém?
O problema demográfico acarreta a jusante outra gama de problemas desde económicos a sociais…
2 O envelhecimento. Muito associado ao primeiro grande problema. Restam os idosos, os que ficaram isolados, os que não puderam ou não quiseram mover-se. Precisam de dignidade, devia prometer-se-lhes isso. Dar-lhe boa acessibilidade a cuidados de saúde, a cuidados continuados ou paliativos, lares e centros de dia, … ou será um investimento sem retorno?
Precisamos de melhorar a acessibilidade à saúde numa lógica vertical.
Veio nos órgãos de informação nacional que o hospital de Chaves está hoje cotado como um dos piores do país. Quando se deram os mega-agrupamentos  na saúde o Hospital de Chaves perdeu a maioria das suas valências (resta cirurgia e ortopedia), serviços certificados antes do agrupamento. Prometer abrir uma extensão da Clipovoa ou da Trofa Saúde poderia fazer pender os pratos da balança para algum dos lados nesta contenda eleitoral (Sei que isso são grupos privados?) Mas o poder das gentes (e políticos) de qualquer local vê-se na sua capacidade de mobilizar seja o que for, mesmo a iniciativa privada a instalar-se e  a vir para estas bandas.
- Economia / emprego / atividades
O que vai ser do interior?
Apostar-se no turismo? Temos quase de tudo o que os turistas procuram. Começa a haver organização, mas ainda falta fazer muito.
É positivo, mas insuficiente.
A Agricultura. Há pessoas que apostam. Tradicionalmente somos uma região com histórico nessa atividade.
Como professor, posso afirmar que quase nenhum jovem se revê nessa atividade. Não pelo medo ou incapacidade, mas pelo futuro pessoal, pela parte lucrativa. Pouco informados?
Pelo menos as explorações agrícolas demasiado parceladas e divididas em blocos pode ser que fiquem para quem vier do exterior dedicar-se à atividade. Inviável, para já exceto nalguns poucos nichos, dada a sua estruturação.
Industrialização? Não temos, parece que isso não é para nós. Só a parte das atividades extrativas pura e simples, sem mais valias.
Também temos os emigrantes… são mais que muitos… Como os enquadrar?
Quem nos podia ajudar?
Estamos numa Europa, uma Europa pouco solidária, que pouco se importa e pouco se esforça por dar condições de igualdade (de direitos, salários, oportunidades…) a todos os europeus.
A Europa precisa lidar melhor com o seu poder, a Europa ao invés até chega a potenciar as desigualdades, com o caminho que leva.
A continuar assim, o seu caminho não será muito longo.
Tentei ajudar, dar pistas, mas provavelmente nada disto condiz com nenhum projeto de nenhum partido.
Inclusive dei-me ao trabalho de questionar os meus alunos (de 14 /15 anos) sobre o assunto. Podia ser que as suas visões nos sugerissem ideias:
Reparar estradas (que estão de facto muito degradadas pela região toda); fazer reabilitação urbana (muitos edifícios, alguns históricos degradados e a ameaçar ruína); fomentar o emprego; recuperar o ensino superior para a cidade; tornar a A 24 novamente grátis (ou dar novamente algumas passagens grátis); baixar impostos; dotar de serviços as aldeias (em vez de os cortar) como forma de fixar população em idade de procriar; criar estruturas diversas (um parque de diversões!) o qual seria um mote complementar de apoio à organização da atividade turística.

Ficam algumas ideias, espero que úteis até para confrontar os políticos que nos contactam e visitam.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O TEMA DOS REFUGIADOS

Os tempos são de mudança (os que andam atentos a cada dia que passa, não deixam de efectuar o reparo, os tempos são sempre de mudança).
Aceite-se ou não, é a realidade e há que viver com ela.
Acontece é, que neste preciso momento, nem mesmo o maior especialista em geopolítica pode arriscar uma previsão que não se revele falaciosa no momento seguinte. O xadrez geopolítico que é o mundo encontra-se a fervilhar de instabilidade. Nas nossas poltronas assistimos a lideranças sem poder, enfraquecidas.
Uma pergunta que fica é: temos fracos lideres pelo mundo inteiro que não consigam lidar com um problema que alastra séria e gravemente mundo fora?
Será dos lideres e das lideranças?
Avançando, mesmo que sem respostas!! (Parece o correr dos eventos e acontecimentos)!
A Alemanha e outros países encerram o espaço Schengen, constroem muros, edificam vedações, colocam arame farpado…
Dirão muitos: É uma resposta aos acontecimentos.
Eis que isto gera um movimento de reacção automática. É humano? Não será desumano o que se está a fazer? Ninguém os quer. É uma questão de número? Dividir para parecer bem?
Parece que todos os querem ir para a Alemanha!!
A pergunta e grande incógnita. Eu recebia… mas… e se são geadistas ou terroristas estes refugiados. Se vêm com mulher e filhos ainda «disfarçam», mas o que vêm sozinhos, esses porque não ficam e defendem a sua pátria e os seus?
Esta questão dos refugiados. Como se resolve? Tem solução? Qual? Onde se encontra a resposta que teimosamente não aparece?
Porque razão todos os dias dezenas ou centenas, quiçá milhares ou mesmo milhões de pessoas se dispõem a trocar a sua terra natal pelo desconhecido, criando rotas de refugio e refugiados mais inimagináveis. Metem pernas ao caminho e a pé, de barco, comboio ou como podem ou conseguem «fogem» dali, daqueles sítios onde vivem, atravessam cidades, desertos, mares, montanhas, países inteiros, caminhos sem fim… qual o fim? Para muitos é mesmo o fim inevitável. Inevitável?
Daqueles sítios ou lugares de onde «fogem», de onde desertam a morte espreita. Espreita de todo o lado. É da porta, da janela, das suas arruinadas casas, dos familiares, dos vizinhos, já nem se confia em ninguém. É tudo tão mau, que morrer por morrer, arrisca-se a chegar a sítios onde supostamente os governantes são humanos, de confiança, de segurança. É também uma morte quase certa, é embarcar numa jornada rumo ao desconhecido. Faz lembrar os aventureiros homens do mar descobridores que havia neste canto do mundo.
Muitos ainda tentaram defender a pátria dizem. Mas isso não é mais opção. Que pátria? Já não há. Governos oposições armadas, jeadistas, salafistas, islamistas radicais do Estado Islâmico, do Boko Haram, da Al Qaeda e de milhentos grupos armados e terroristas e fações duns ou doutros, radicais, marcenários, … tudo isto tornou uma parte do mundo inabitável. As pessoas fogem de lá.
Não sobrou nada, não há como sobreviver.
Uma solução, quiçá a melhor ou única solução para o problema. Eliminar o problema que existe nesses locais.
Pois, certo e sabido, mais cedo ou mais tarde instala-se nos nossos recantes pacíficos. E depois vamos para onde? Para Marte?
Acolher bem, tratar bem, como gostaríamos que nos tratassem a nós, mas resolver mesmo o problema da Síria, da Líbia, do Afeganistão, do Paquistão , dos países da África subsariana e outros casos mais prementes.
O Inverno aproxima-se e a crise de refugiados vai tornar-se uma supertragédia.
Voltando ao inicio! Não é porque temos lideres fracos, é porque temos lideres sem poder, o que faz deles lideres fracos.
Isso acontece porque deixam aprovar leis que lhes cortam o poder. Hoje o poder é financeiro, supraglobal, está num nível onde refugiados e assistência a refugiados e guerra e paz fazem parte dum vocabulário menor. Só quando toca em superpaíses tipo Rússia ou EUA se faz alguma coisa.

Aguardemos desenvolvimentos, no nosso pacífico país, na nossa confortável poltrona.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

o momento atual do mundo

Viver no mundo atual não é fácil. Não se trata apenas das questões de conseguir garantir o essencial para a (sobre)vivência diária, a sustentabilidade das famílias, empregos, grupos de pertença.
A pressão é enorme, uma parte dela resultado da grave crise económica que demora em sarar. Frequentemente a incerteza de tudo paira à nossa volta. Principalmente à volta da estabilidade do emprego e dos salários. A vida vive-se em tons precários. Esta pressão dificulta para a maioria das pessoas a fixação de metas e objetivos, o estabelecimento de expectativas, pelo risco da incerteza. Definir metas que se revelem inatingíveis cria outra pressão, esta psicológica, a qual associada à questão da frustração induz a crises de depressão. Estas também têm dificuldade em se desvanecer.
Já não chega de nos preocuparmos com as nossas realidades individuais, sobressalta-nos os problemas do mundo inteiro como se fossem abater-se sobre nós com um impacto nunca antes congeminado.
O xadrez geopolítico mundial passa pela situação mais critica desde há muitos anos, desde a Guerra Fria.
Aparentemente, os EUA continuam a exibir a sua posição hegemónica. Porém, essa posição está a ser disputada, hoje mais, que nos tempos das guerras do golfo, do Afeganistão, ou do problema do 11 de Setembro.
A questão da Ucrânia, a anexação da Crimeia, os problemas do Médio Oriente, entre a Palestina (Gaza) e Israel, a crise do ébola e principalmente a ameaça que constitui o Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), ISIL na sigla em língua inglesa. Este grupo radical que professa o islamismo sunita pretende implantar um califado, primeiramente na região do Levante (Iraque, Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e a parte Sul da Turquia). Pretende expandir o seu domínio a todas as áreas e países de maioria muçulmana e completar o projeto ocupando todo o território dos tempos áureos da civilização muçulmana da Idade Média, com a ocupação da Península Ibérica.
O atual líder, auto proclamado Califa é Ibrahim Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai também conhecido pelos nomes de Abu Bakr al-Baghdadi, Abu Bakr Al-Baghdadi Al-Husseini Al-Qurashi e agora também como Amir al-Mu'minin Califa Abrahim.
Provavelmente a maioria subestima a ameaça. É mais um maluco, fanático e radical islamista, votado com as suas ideias ao insucesso. Perseguiu, matou tentou extinguir os cristãos e os Yazidi do território iraquiano que controla (ou eram convertidos ou mortos). Faz verdadeiras limpezas étnicas nas áreas controladas por este grupo. E promete fazer cumprir as tradições islâmicas de forma rigorosa.
Ao mesmo tempo que fazem mossa no Iraque e na Síria irão testar Israel (que assim terá que abrir outra frente de batalha -urge pacificar Gaza e a Palestina, para virar atenções para outro foco).
Ao mesmo tempo recrutam e aliciam (a execução de jornalistas norte americanos, mais ameaças – feitas num bom inglês, num inglês de ingleses ou norte americanos).
Apesar da distância e da ameaça ao nosso próprio território devemos permanecer como se nada fosse?
Esses “ingleses” ou “norte americanos” que possamos encontrar “disfarçados” de turistas num qualquer país árabe são de facto turistas? O turismo em países como o Egito, a Turquia, a Tunísia a Terra Santa e outros sujeitam-se a um duro golpe enquanto a ameaça não for eliminada.
Temos um escudo protetor. A NATO, os nossos aliados, temos todos os países que nos separam do Iraque até Portugal (não esquecer que Marrocos, está logo ali, mas para já longe desse radicalismo fanático).
Mas podem esses nossos aliados tranquilizar-nos? Bem sabemos que não há exercito dotado, equipado técnica e tecnologicamente como o dos EUA, nosso melhor aliado. Também a maioria dos exércitos europeus têm nível equivalente e também são nossos aliados. O que temer, portanto? Alguma coisa?
Será que alguém se atreve a desafiar tal poderio que não esteja condenado ao maior dos insucessos? Quem vai para o mar prepara-se em terra, quer dizer quem vai combater uma guerra, antes tem que ver quem é o inimigo, que armas tem.
Esperamos que de facto, tirando as consequências que já são efetivas lá no território iraquiano este problema não alastre.
O certo é que outro candidato a disputar a hegemonia norte americana e aliada é novamente a Rússia do senhor Vladimir Putin. Descaradamente e desafiadoramente para o mundo invade a seu bel-prazer a vizinha Ucrânia. Anexou a Crimeia debaixo de estupefação e apatia geral.
Nada se fez de efetivo, nada se continuará a fazer de efetivo. Haverá guerras que mais vale não as travar?

A época é de perigo e de incerteza… e eras conturbadas como esta onde nos levam?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

AINDA A CRISE


Podemos afirmar, numa análise comparativa, recorrendo a um histórico da economia portuguesa e internacional, que as crises são cíclicas, e as bancarrotas também. Portugal já caiu, oficialmente, 8 vezes em bancarrota, a Espanha, não obstante a sua dimensão e o poder da sua economia, 12 vezes atingiu esta situação, em ambos os casos ainda, a maior parte das vezes em séculos anteriores, no caso português nos tempos da monarquia. (cf. Com investigação realizada por equipa do Jornal Expresso, notícia publicada a 31 Ago 2011).
O FMI, entretanto, e na fase mais recente da nossa história foi chamado a intervir, precisamente, para evitar nova situação de bancarrota, em 1978, 1983 e agora 2011.
O fantasma da bancarrota, apesar dos sacrifícios impostos aos portugueses ainda paira, ainda não está afastado.
Porquê?
Porque tivemos um estado superdespesista. Irresponsabilidade? Má governação? Sim, tudo isso. Como foi possível não “ouvir” os indicadores, os dados, a informação estatística, os quadros do défice e da dívida pública, ignorar os marcadores de tendência, os desvios às médias, as comparações destes indicadores de evolução e tendência com as consequências e efeitos daí resultantes?
É uma série de dúvidas, que no fundo espelham o país e a sociedade que temos. Acredito que se fosse descoberto uma jazida de petróleo significativa em Portugal, não iria beneficiar os portugueses, mas os mesmos de sempre. E tudo continuaria igual, na mesma como sempre foi.
Portugal, voltando a recorrer à história e às estatísticas foi senhor de um império riquíssimo em termos de recursos naturais, de riquezas… a população, comparativamente, com muitos países e com os recursos de que dispunha, nunca conseguiu criar condições de distribuição de riqueza para ser um país equilibrado. Veja-se o exemplo a seguir de aproveitamento de recursos, de distribuição de riqueza e de bem estar da população: a Noruega. Diferença: boas opções na hora de decidir. Comparações: analisem as opções de obras públicas, construção de estradas, … recordando, que é um dos poucos países europeus produtores de petróleo.
Centrando-nos novamente em Portugal.
Que opções? Portugal perde o seu império, orgulhosamente sós não sobrevivemos mais, então pedimos adesão à então CEE, que nos dá a mão, e os nossos governantes encontram um novo filão, qual mina de ouro, fundos perdidos, a EU dá 75% nós só temos que encontrar os outros 25 % para financiar “todo” o tipo de projetos. Ora toca a pedir um empréstimo para mim, ora um empréstimo para ti, ora outro para ali, … cada empréstimo era no mínimo de milhões de euros. Construir estradas, tgv, aeroporto, … tentou-se fazer tudo. E nunca ninguém (os nossos governantes) deu conta que não produzimos riqueza suficiente para pagar todas essas dívidas. Loucura, os mercados são nossos amigos, são um saco sem fundo, emprestam sempre.
Mas a realidade é outra, as crises é verdade que são cíclicas, mas os erros de gestão (governo) e as más opções pagam-se caro… quer dizer, o povo é que paga.
Agora é preciso refundar o estado. É, lamentavelmente é. É preciso fazer o estado dar lucro. É preciso que o estado dê lucro para não haver défice (ie, o estado tem que ter recursos – dinheiro, para honrar os seus compromissos, diários, mensais, … - salários, fornecedores de serviços, … e pagar a dívida). A balança de pagamentos terá que ser positiva num longo período (não pode haver deficit, tem que haver lucro, superavit, porque além das despesas que seriam normais o estado ter, tem que pagar a dívida, loucas dívidas).
Para isso, terá que se cortar em serviços públicos essenciais (saúde, educação, justiça, segurança, apoios sociais, …). O estado terá que ser emagrecido até dar o lucro necessário para não haver défice das contas públicas e para haver ainda recursos para pagar a dívida.
E só depois de recuperar esse controlo da economia, o estado poderá novamente investir nesses serviços públicos essenciais e reparar o mal que vai ter que fazer à saúde, à educação, …
Mas a realidade que vemos é que o estado, mesmo com a austeridade severa com que nos castiga, nem o défice consegue controlar (ou seja, o estado continua a dar prejuízo). Como vai então arranjar recursos para pagar tudo… as despesas correntes que tem e a dívida? Essa é a boa questão… a troika vai embora em Setembro, será a ida aos mercados suficiente para o estado se financiar e controlar o deficit e a dívida?
De permeio ainda tem de financiar a banca. Parece perverso. Financiar, há quem assegure, um dos culpados da situação? Dizem os que nos governam, que neste ponto estão de mãos atadas. É necessário… porque deixar ir um banco à falência (ainda recentemente se financiou o Banif, antes já se tinha feito o mesmo aos outros bancos, com um valor superior aquilo que vale) equivaleria a que todos os portugueses que têm poupanças as perdessem… a falência de um banco significaria o pânico generalizado, a corrida generalizada, que não pouparia nenhum banco a levantar todas as poupanças, descapitalizaria os bancos até à queda de todo o sistema bancário, com consequências inimagináveis para o financiamento da país e da economia.
Questionava atrás, será a ida aos mercados será suficiente?
A resposta é a esta altura difícil. Mas novas avaliações da troika se avizinham.
Caso este plano falhe, o que acontece a seguir?
Os portugueses cumprem com rigor um plano negro de austeridade, pagam a fatura de más opções, de má gestão e depois. O governo é considerado um bom aluno, porque fez o que a troika decidiu (aliás mais do que a troika decidiu) e…
A troika voltará, com o perdão da dívida (como fez com a Grécia), porque esse é efetivamente o nosso grande problema. Atuará depois em 2 campos, revitalizar a economia, num plano controlado, poderá aliviar um pouco a pressão sobre a população, para dinamizar o consumo, mas sempre numa lógica de aperto, austeridade e controlo, com um estado super reduzido, porque durante bastantes anos vai ser preciso um estado muito reduzido (os nossos planos de divida pública até 2021 são de valores astronómicos – muito superiores aos valores de riqueza que conseguimos produzir).
Navegar em águas tranquilas e atingir um bom porto é o objetivo, a esta data, ainda distante… por enquanto prevalecem medos, receios e fantasmas.

domingo, 11 de novembro de 2012

austeridade ou a crónica do caminho para o abismo

Só quando estamos perdidos e totalmente desorientados é que o caminho escolhido nos pode levar para longe da nossa meta.
Quando falamos de governantes não estamos nem nunca estaremos a falar de gente perdida, desorientada, estamos a falar de gente escolhida, gente que tem os dados todos, totalmente informada... agora recorrendo novamente à analogia geográfica, se gente em posse da informação toda para escolher o bom caminho, como é possível optar por um caminho e perder-se? perder o rumo? Levar um país inteiro para o abismo?

Recorrendo à analogia geográfica, se eu estou em posse dos dados, da informação toda, e, se opto por um caminho, eu sei onde me vai levar.
Será? Quase parece a teoria da conspiração... Será que quem nos governa nos leva propositadamente pelo caminho do abismo?

É para lá que caminhamos. Os sinais são cada dia que passa mais reveladores dessa certeza.
Às vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro, e quando este dá conta é tarde demais.
Parece ser essa a realidade.

Decidiu-se o caminho. Austeridade. Cortar como nunca antes visto no rendimentos das pessoas, das famílias, cortar, num caminho que desbaratou empresas, que desincentiva o investimento, que faz galopar o desemprego (que também significa corte no rendimento das famílias).
Ora o que sustenta a produtividade e a produção são as carteiras de encomendas, é a procura, é o mercado.
E todo o capital que significa o rendimento das famílias é novamente redistribuído no consumo e vai parar à economia real, às empresas (comércio, indústria, serviços, a todos os sectores produtivos).

2013 vai ser um ano mesmo recessivo, mais do que se imagina. O histórico das famílias e das empresas já está na penúria com os cortes deste ano. O dar uma certa qualidade à vida das famílias e das empresas implicou durante o ano significou atacar as parcas poupanças ainda existentes. Em 2013 esse fôlego está já esgotado. Será mesmo muito pouco dinheiro a ir parar à economia, às empresas que dele precisam. Mas não há. Todo a austeridade o levou.

Todas as empresas sem excepção vão entrar numa espiral de esmagamento. Quando se fala numa Ibéria, quando se vê reestruturações em grandes construtoras automóveis, banca, tecnológicas... são sinais claros que nem as grandes empresas, mesmo multinacionais, donas do mundo,da ganância,essas que impunham as suas regras, não vão sair impunes da austeridade. Atingidos? Danos Colaterais? Sempre os mesmos.

Nada será como antes... Melhor, será tudo como antes, como 20 ou 30 anos atrás.
Já se vê nas escolas... os cortes na educação, por exemplo, vão levar ao abandono escolar precoce... pois, quantos mais jovens forem para a universidade, mais jovens licenciados irão para o desemprego, neste momento é preferível que abandonem, emigrem (levem a nossa demografia às dinâmicas mais negativas do mundo), que enviem remessas, num reeditar da balança de pagamentos de algumas décadas atrás.

Estes são alguns sinais, algumas marcas encontradas neste caminho.

É este o caminho que foi escolhido.

Não é este certamente o caminho que queremos.


domingo, 14 de outubro de 2012

VIDAGO - RETRATO


PONTOS FORTES DE VIDAGO (REGIÃO)
Água com gás
Palace Hotel / Primavera Perfume Hotel
Hotéis
Restaurantes
Golfe
Termalismo
Estação CP
Santa
Casas antigas
Festa de Vidago
Natureza
Vista
Praia Fluvial
PONTOS FRACOS DE VIDAGO (REGIÃO)
Falta de balneário termal
Falta zona histórica (centro histórico tem pouco interesse)
Falta entretenimento
Imensos locais abandonados (lojas, hóteis, pensões, …)
Falta comércio
Falta a praia de Vidago
Pouca divulgação
Encerramento da fábrica das águas
Declínio da vila
População
Falta de espaços verdes
O QUE FAZER PARA MELHORAR VIDAGO (REGIÃO)
Criação de emprego
Desenvolver o turismo
Construção do balneário termal
Criação de infraestruturas
Criação de áreas de lazer
Construção de piscinas públicas
Mais hotéis
Dinamizar o comércio (mais lojas, construção de shopping, Lidl)
Criar museu
Dinamizar mais festas e eventos
Abrir uma discoteca
Melhorar o lar de idosos
Rendas da habitação mais baratas
Investir na criação de empresas e fábricas
Investir na agricultura
Mais construção civil
Mais limpeza
Dinamizar passeios turísticos
Redução de impostos
Recuperação de hotéis e pensões
Apostar nas termas e no golfe
Construir 1 casino
Limpar florestas, matas, bermas
Não encerrar escolas primárias