terça-feira, 1 de março de 2011

A Sorte e o Futuro que nos Espera

Já vinha chamando a atenção para o barril de pólvora que se sente na nossa gente, uma espécie de revolta latente, um sentimento que extravasa nas emoções da população portuguesa. É um descontentamento que alastra, que mina e que qualquer dia degenera em algo grave, alguém perde a cabeça... alguém que até há pouco tinha bom nível de vida, que tinha bem estar e qualidade de vida e de repente se viu, incompreensivelmente no pólo oposto. Alguém que sempre foi honesto, que sempre deu o seu melhor e o seu melhor exibiu competência a olhos vistos, alguém cuja competência foi posta em causa por outros valores insondáveis, inexplicáveis, ilógicos...
O individuo explode e quem é o rosto de todo o mal? Devemos perguntar-nos, quem é o rosto último de todo o mal? A quem pedirá a população contas de todo o mal que está a recair sobre a sociedade? A quem trabalha seriamente, diariamente, que planeia e cumpre as suas obrigações? ou àqueles que subvertem, que alteram as regras do jogo, com o jogo a meio impedindo o comum mortal de cumprir?
Dizem-nos que havia boa, óptima, excelente qualidade e nível de vida, mas que tal não será mais possível!! Mas não será mais possível porquê? Retrocederemos em conquistas feitas? Não pode ser... se chegamos aqui, a meta tem que ser irmos além disto.
Há algo latente, sente-se no ar que respiramos...

A sorte desse tal de rosto do mal... é que não somos os únicos a sentir... os líbios, tunísinos, egípcios e outros mais (curiosamente no Norte de África, aqui tão perto e na península ... arábica) despertaram antes de nós. Talvez lá fosse pior.
A sorte é que as atenções estão desviadas... para aqui perto... por enquanto...

Meus Senhores saibam ler, tirar conclusões... entendam, sintam a população.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pura Ilusão, Grande Erro ou Decisão Certa (a propósito da Moção de Censura)

O Bloco de Esquerda anunciou vai fazer uma semana, uma moção de censura ao governo! Isto alguns dias após ter criticado o recurso a este instrumento aos arqui - rivais do PCP.
Francisco Louçã anuncia essa intenção em pleno fervor das manifestações egípcias contra Mubarak. Quiçá sentiu-se inspirado. Pensou que os ventos de mudança derrubariam toda a injustiça, toda a corrupção... e que esses ventos a soprar aqui tão perto (já levantam poeira na Argélia)... fariam-nos o favor de levar o sr. Primeiro Ministro e todo o seu governo e seria trocado por outro que reporia solidariedade e justiça social!
Mas condenou as suas intenções... um pouco como Manuel Alegre fez nas eleições presidenciais... por erros crassos de estratégia, por passos desastrados!
Como esperava levar as suas ilusões a bom porto ao anunciar que a moção de censura seria também contra o partido que seria indispensável para a aprovar.
Sim, foi de todo errado... mas talvez o tempo lhe dê razão... e este tiro no pé (talvez porque tenha pensado que cometeu algo de precipitado) talvez (estamos no campo dos ses) se venha a revelar afinal como a decisão acertada!
Possivelmente, estes ventos de mudança estejam a purificar estas elites que olham primeiro para o seu umbigo e só depois para as necessidades e preocupações do povo.

Tertúlia em Verin

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Que é que será? Nova Ordem. Nova Ordem Controlada ou Nova Ordem Descontrolada?

O rastilho foi aceso e já houve explosões..daquelas que fizeram mossa. Fizeram mossa no tabuleiro da geopolítica mundial. Primeiro Ben Ali, ditador da Tunísia, hoje Hosni Mubarak,Presidente Egípcio.. Em Comum, tiveram que ceder às pressões de manifestantes populares, que não arredaram pé, enquanto lograram esse desígnio - afastar a classe corrupta governante do país.Em comum, esse vento suão, que varreu países do Norte de África. Em Comum, varreu ditadores que mantinham as rédeas do poder à várias décadas. Em comum, eram de certa forma ditaduras de países árabes aliadas dos países ocidentais, leia-se EUA.
A crise bateu forte e os mecanismos de controlo tão bem gisados por quem se eterniza no poder faliram... tal como a economia que serviu para enriquecer uns poucos de poderosos e corruptos que se acercaram do poder e cujos efeitos da crise passaram bem ao lado. Tão ao lado, que tal cegueira impediu de ver... aquilo que era fácil de ver...
Agora como vai ser? A democracia? o caos? Era disto que Bin Laden estava mesmo à espera!! Veio mesmo a calhar...
Ditadores de todo mundo... a vossa hora está a chegar... sede prudentes!!!

Mas como foi isto possível? a diplomacia costuma estar por detrás de tudo. Será que tudo isto foi obra do povo? Merecia um prémio Nobel! Ou ouve dedo por detrás? De quem? Um dia haveremos de saber estas respostas.
Mas o tabuleiro da geopolítica está exposto. Vamos ver ao que isto leva... Outras manifestações estão prometidas. Vamos ver que regimes aguentam, que regimes cedem, que regimes são atacados.
De uma outra forma.. o Bloco de Esquerda aproveitou estes ventos que sopram e promete ajudar a mudar o regime vigente em Portugal... que de alguma forma se assemelha aqueles todos que estão a ser varridos por aí...
Paralelismos à parte...isso fica para outra análise.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Magusto

O Fórum Galaico-Transmontano: Círrculo de Estudos e Divulgação vai oferecer um Magusto aos sócios, sócios do Aero Clube de Chaves, Professores e Amigos.

O Magusto terá lugar nas instalações do Aero Clube de Chaves, dia 20 de Novembro, às 15 horas.

Durante o Convívio serão apresentados os novos Órgãos Sociais e os delegados regionais e concelhios.

Nessa tarde será dado a conhecer o plano de actividades para o ano de 2011.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Custos da Interioridade

O país anda aos «tombos», ninguém se entende. Correcção, entender até que se entendem, sobrecarregar os mais pobres, aumentar impostos, cortar salários, subsídios, direitos… Se isto por si já é grave e manifesta muita descoordenação e falta de visão, porque compromete seriamente o futuro das pessoas, em última instância, do próprio país, há regiões muito mais prejudicadas.
As regiões do interior são gravemente lesadas com as políticas e opções dos sucessivos governos.
O encerramento de escolas, postos da GNR / Judiciária, tribunais, serviços de finanças, notariado, urgências e valências hospitalares, o pagamento de auto –estradas que deveriam ser sem custos para o utilizador.
A lógica mudou nitidamente. Ainda há pouco tempo o modelo certo passava pela descentralização, pois considerava-se que aproximar a administração da população, criar relações de proximidade, estar presente onde a população precisa era… o politicamente correcto. Era, mas já não é!! Agora… centralizar, centralizar, que se faz tarde. Centralizar tudo se possível. Diminuir as acessibilidades a tudo, ou pagar caro para ter direito a essa regalia de ser bem servido, rapidamente atendido…
A qualidade de vida tem um custo…
Sim, tem custos, mas o bem estar, a qualidade de vida e o nível de vida são as prioridades de quem nos governa, para isso é que o povo elege os seus governantes. Ou será que não é assim? O bem estar, a qualidade de vida e o nível de vida da população não são as prioridades dos nossos governos?
Assim, urge perguntar… O que fazer com o interior? As aldeias são para acabar? Afinal não fazem falta?
No passado houve gente com competência, com classe, com categoria… pensou, projectou, planeou, fez… de repente, o tempo tudo levou… vieram ideias novas, iluminadas, da nova geração, muito mais sábia, que tudo mudou… As SCUT eram SCUT porque deveriam ser SCUT, as nossas vilas e aldeias tinham serviços de educação, saúde, justiça, segurança e outros porque precisavam desses serviços… agora em nome de quem é que tudo mudou?
Já agora, quem teve voto na matéria? Os interessados? Os lesados?
O que vai acontecer? O interior migra todo para o litoral ou para o estrangeiro? Qualquer dia cria-se um género de rendimento de inserção para o interior, porque promove-se a sua desqualificação, o seu despovoamento, assim, é que nunca mais nenhum investidor ousará gastar um cêntimo numa região que é abandonada em primeiro lugar pela própria nação.

O encerramento de escolas primárias e os mega - agrupamentos

A minha escola agrupou! Faz agora parte de um mega – agrupamento, um super agrupamento, que no seu total perfaz um total de 5 escolas e Jardins de Infância.
Pertencemos a um agrupamento que completa os desígnios governamentais de oferecer um serviço de educação dos 3 aos 80 anos, com ensino pré – escolar, ensino regular em todos os níveis de ensino, ensino profissional e educação e formação de adultos.
As escolas com menos de 20 alunos foram encerradas!! Muito se irá poupar…
Agora a questão principal. Será que estes desígnios governamentais são os mais acertados? Quem vai beneficiar com isto? Quanto se vai poupar? Com que custos? Pesaram-se os lados da balança?
Fundiram-se os órgãos de gestão, os serviços administrativos, paralelamente, reduziu-se brutalmente ao crédito horário, a DRE reduziu drasticamente no pessoal não docente (menos horas para tarefeiras e menos vagas para pessoal do fundo de desemprego).
Isso já afecta a escola.
Mas não se fica por aqui. As escolas do agora super agrupamento são diferentes, com culturas diferentes, hábitos diferentes, rotinas diferentes. Afinal sempre se pode dizer são meras rotinas, reajustem-se, mudem.
É um processo de aculturação, pelo modo mais grave e anti – natura, por imposição. A escola inserida numa realidade geográfica criou laços, aprofundou raízes, exibiu uma identidade e uma cultura própria ao longo de muitas décadas. Quem pediu este agrupamento, nós não fomos, isso é certo.
Imposição, demagogia, democracia!! Funciona a vontade da maioria, mesmo que não se faça jus à competência necessária, ao caminho lógico, a recomendações de inspecções gerais.
A escola trabalhava mal? Não, os relatórios, as inspecções provam que não.
Agora temos sede numa cidade, agrupamos a uma escola cuja lógica simples é o trabalho para as estatísticas. Os alunos da cidade poucos são os que não constituem um investimento pesado e medido pelas horas de explicações, pelo acompanhamento e protecção de pais habilitados para o efeito.
Pobre a minha escola, enquadrada pela simplicidade e inocência do mundo puro do campo, do meio rural, em que os miúdos, também alunos da escola, quando chegam a casa têm outros deveres a cumprir, que não os da escola.
Agora serão medidos, pesados pela bitola da cidade. Comparar o que não tem comparação. Passa-se do 8 para o 80, do 60 / 40 para o 90 / 10. A discrepância até podia ser outra, mas deveria ter uma preocupação: formar o aluno como homem / mulher, cidadão responsável e válido para a nossa sociedade.
O espírito das últimas reformas educativas transmite essa ideia… Outra é imposta… funciona… a lógica da maioria, daquela maioria que inquina a democracia, a que não quer ver, que não se interessa, que não tenta analisar, entender… a realidade.
Aculturação… forçada pela maioria.
Neste momento está difícil trabalhar… os professores estão desmotivados… cada vez mais! Impotentes, forçados a deslocações, só para tomar conhecimento, porque a maioria já decidiu que se deveria continuar com… as rotinas da escola com que agrupamos. Fomos engolidos, e a outra escola, é o bicho papão. Cada ano que passa mais tiros no porta-aviões da educação, está quase a bater no fundo.
Ironia, a outra escola, o tal bicho papão é uma escola óptima, excelente, noutras circunstâncias talvez todos tivessem o desejo de lá trabalhar… malditas as mega fusões.
Ao nível da classe docente, está instalado o caos e o desânimo, nos serviços administrativos paira o meda, a insegurança, o stress… e quem será o próximo contemplado com um bilhete de ida para a sede? Todos querem ir? Ninguém… Gato escaldado…
Ao nível das direcções fundidas? Um mar de rosas? Será uma pergunta com resposta simples? Será?
Muitas outras dúvidas persistem… Ficam para depois outros balanços.